1713-2013 A Igreja do Terço na história de Barcelos


A Confraria de Nossa Senhora do Terço, no ambito das comemorações dos 300 anos da Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço, promoveu, com a colaboração da Câmara Minicipal de Barcelos, uma exposição de arte sacra no Salão Nobre da Câmara Municipal de Barcelos.

Integrada no calendário das Festas das Cruzes de Barcelos 2013, esta exposição, sob o tema "1713 - 2013 A Igreja Beneditina do Terço na história de Barcelos", pretendeu dar a conhecer aos barcelenses e a quem visitou Barcelos, neste período festivo, parte do espólio da Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço bem como, um conjunto de imagens de S. Bento vindas de diversas proveniências.

A Inauguração desta mostra foi no dia 29 de Abril de 2013, pelas 21.30 horas e ficou patente ao público até ao dia 31 de Maio de 2013.

Foi muito visitada e pela sua grande qualidade foi muito elogiada.

Ver a notícia no site da Câmara Municipal de Barcelos

Deixamos aqui, para memória futura e para apreciação de quem não pode visitar a exposição, fotografias das imagens e a sua identificação.

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: São Bento da Buraquinha
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 110x35
Localização: Capela de São Bento da Buraquinha
Autor: ?
Cronologia: séc. XVIII (?)

Descrição:

Escultura em madeira policromada de S. Bento.

Apresenta-se de pé e em posição frontal, com a cabeça ligeiramente voltada para a direita e braços soerguidos dirigidos para a frente. O direito encontra-se mais elevado, com os dedos em posição de bênção e o esquerdo mais fletido, suporta alguns dos seus atributos iconográficos, livro castanho e um báculo.

Possui um rosto ovalado, com feições joviais, olhos pintados de castanho e uma tonsura interrompida. Sobre a cabeça uma mitra em tecido, ornamentada com motivos vegetalistas.

Enverga um hábito beneditino preto (cogula), com debruados a dourado, mangas largas e capuz. As vestes rígidas estão marcadas por um denso pregueado, onde apenas sobressai a ligeira flexão da perna esquerda e leve subida do hábito, que revela a ponta de um botim preto.

Imagem repintada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: São Bento
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 29x15
Localização: Paróquia de Creixomil
Autor: ?
Cronologia: séc. XVIII / XIX

Descrição:

Figura masculina de pequenas dimensões, vulto pleno, representada em pé sobre uma peanha retangular decorada por marmoreado.

Tem sobre o seu lado direito uma mitra esverdeada debruada a dourado. Representado com o braço direito erguido que suporta um báculo dourado, e com o braço esquerdo soerguido, segurando, um livro vermelho. Pé esquerdo avançado em relação ao direito. Imberbe, com cabelos castanhos e corte em tonsura. Veste hábito negro com largas mangas, debruado a dourado, decorado por folhagem dourada. Sobre a cabeça um capuz de orelhas de igual decoração.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: São Bento
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 66x15
Localização: Paróquia de Creixomil
Autor: ?
Cronologia: séc. XX

Descrição:

Escultura masculina de vulto pleno, policromada, representada de pé.

Imagem de um jovem com rosto arredondado, que denuncia alguma inibição, serenidade, mas com um olhar bastante melancólico. Sobre a cabeça ligeiramente inclinada para a direita uma mitra papal, adornada por uma cruz grega.

Enverga um hábito negro apenas adornado por orlas douradas, com capuz, sulcado a toda a altura por profundas pregas, que apenas deixa à mostra parte da biqueira do botim preto da perna direita. Ao peito um cordão dourado com uma cruz latina. Na mão direita, fletida, segura um volume encadernado e na esquerda, num plano mais elevado um báculo dourado.

Aos seus pés e sobre uma peanha de base retangular marmoreada, outro dos seus atributos, um corvo com um pão no bico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Sta. Escolástica
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 79x33
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVIII (?)

Descrição:

Santa Escolástica entalhada em madeira policromada, representada de pé e em posição frontal.
O corpo está ligeiramente em contraposto, apoiando o seu peso sobre a perna esquerda, pois a direita encontra-se fletida.
Possui um rosto ovalado, com faces rosadas e cheias, definidas por uma coifa que termina em bico sobre a testa e que apenas deixa há mostras uma pequena percentagem do cabelo castanho da santa. Olhos pintados de azul, nariz e boca pequena.
Veste hábito beneditino composto por coifa de cor branca, véu e vestido cingido na cintura, pintado de preto e ornamentados por motivos vegetalistas dourados. Na borda uma barra também dourada. Está marcado por um pregueado bastante ondulado, serpenteado e dinâmico. O joelho direito em avanço sob o hábito salienta as pregas verticais que caem em harmonia sobre a base.
Com a mão direita segura um báculo prateado e com a esquerda, um livro aberto com a seguinte inscrição “SOLI DEO HONOR & GLORIA” - Só Deus Honra e Glória, princípio segundo o qual a glória é devida a Deus, uma vez que a salvação é realizada através da sua vontade.
A imagem assenta sobre uma base de formato octogonal, adornada por frisos pintados de verde e laranja. Ao centro a inscrição “S. Escolastica”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: São Bento da Porta Aberta
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 84x39
Localização: Irmandade de São Bento da Porta Aberta
Autor: ?
Cronologia: séc. ?

Descrição:

Figura masculina, em vulto pleno, de pé em posição frontal, representando São Bento da Porta Aberta.
Cabeça voltada para a frente, rosto longo, rosado, com barba bifurcada e tonsura interrompida, composta por faixa tubular de cabelos com tufo central sobre a testa, em tons acastanhados.
Com a mão direita enuncia o sinal de bênção e com a esquerda encosta e segura o livro ao corpo.
Quanto aos panejamentos traja vestes negras ornamentadas por motivos vegetalistas e geométricos dourados, com debruado também a dourado. Estas apresentam um capuz, longas mangas que caem em U, e com pregas salientes e retilíneas. Perna esquerda ligeiramente avançada e fletida, que revela a ponta dos sapatos pretos.
Aos seus pés, do lado direito uma mitra papal dourada e do lado esquerdo um corvo preto com um pão no bico.
Repintado.
O fundador de São Bento da Porta Aberta
Até ao presente, tinham sido baldados todos os esforços feitos no sentido de averiguar a data e motivos da fundação do primitivo templo de S. Bento, na freg. de Rio Caldo, que veio a tornar-se um dos mais célebres santuários portugueses, a que, durante o ano, acorrem centenas de milhares de peregrinos e numerosos turistas.
Na falta de documentos, surgiram lendas e hipóteses explicativas.
Ora, a Divina Providência permitiu que, neste ano jubilar em que se comemora o XV centenário do nascimento do glorioso taumaturgo, encontrássemos o documento tão ansiosamente desejado, e que adiante transcrevemos.
Perante a sua meridiana clareza, caem por terra todas as lendas e congeminações sobre a antiguidade e motivos da fundação do célebre santuário.
Eis como as coisas se passaram. Em 1614, o Rev.º Cónego Miguel Pinheiro Figueira, visitador das freguesias de Entre Homem e Cavado, foi à de Rio Caldo, onde verificou que o lugar da Seara da Forcadela ficava muito distante da igreja paroquial, o que tornava difícil a administração dos sacramentos aos seus moradores.
Para obviar a esta dificuldade, ordenou ao abade da freguesia, P. João Rodrigues, que, até ao Natal seguinte, mandasse construir uma ermida no referido lugar «por ser muito necessário e do serviço de Nosso Senhor».
O abade pôs logo mãos à obra e, em Junho de 1615, requeria licença para celebrar missa na ermida, que dedicara a S. Bento, pois ela estava «muito bem acabada, de fermosa parede, e bem caiada, com seu enchaxo (?) (-nicho) na parede, de seis palmos em alto, lavrado de esquadria, com suas folhagens e seu campanário muito bem feito.
Está bem emmadeirada d’olivel e toda forrada, com suas portas principal e travessa, de esquadria os portaes, e o telhado mui bem concertado e todas as telhas com cal. A invocação (é) do Padre Senhor São Bento, que está feito de vulto (-imagem), de quatro palmos e meio em alto, muito bem pintado».
A capela ainda não tinha altar nem paramentos, mas viriam da igreja paroquial, «que tem bastantes para tudo». Pedia, por isso, licença «pera dizer missa na dita hermida».
Seguidos os trâmites legais, o Sr. Arcebispo Primaz, a 29 de Junho de 1615, deu licença para «que se possa alevantar altar e dizer missas na hermida de São Bento ( ... ) e nella fazer todos os mais officios divinos, não prejudicando porém em cousa algua os direitos da igreja matris em cujus lemites a dita hermida está situada».
Até finais do século XVII, a ermida de S. Bento não devia ter grande concorrência de devotos, porque o P. António Carvalho da Costa não a menciona, ao falar da freg. de Rio Caldo, no vol. I da sua Corografia Portuguesa, publicado em 1702.
Em 1758, porém, a ermida já era centro de grande devoção, segundo se depreende das informações que neste ano mandou para Lisboa o cura de Rio Caldo, que escreveu: «À ermida de S. Bento acodem muitos devotos e é frequentada a sua imagem nos dias do seu orago e em muitos mais dias do ano, pelos muitos milagres que obra em sua imagem». (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Dicionário Geográfico).
Quase um século depois, em Dezembro de 1845, o P. João José Peixoto, arcipreste de Pico de Regalados, em resposta aos inquéritos paroquiais então feitos, informou: «A (Capela) de S. Bento da Porta Aberta, sita no logar da Seara, hé filial da igreja e, por isso, sua administração, corre sob o cargo da Junta de Freguesia».
«Hé notável pelo numeroso concurso de romeiros, que ahi se juntão em quasi todo o anno, sendo mais celebres os dias do primeiro sábado da quaresma, de 21 de Março, dia dos Prazeres de Nossa Senhora, no dia 11 de Julho, e desde 10 d’Agosto até dia d’Assunção de Nossa Senhora.
Hé grande a occurencia dos povos, e com tanta copia de esmollas que não há negocio de mais importancia entre aqueles paroquianos do que tractarem da eleição de paroquia com ponderosos impenhos, para nessa qualidade, poderem gozar do fructo d’essas esmollas com a maior avidez, o que, por muitas vezes, tem dado que fazer na freguesia.
A Capella está mui decente e tem os necessarios paramentos para nella se celebrar. Conserva sempre a porta aberta, ainda que de proposito se feche».
(Arquivo Distrital de Braga, Registo Geral, Inquéritos Paroquiais, Arciprestado do Pico de Regalados, fl. 64 v.).
Dos dois documentos inéditos e desconhecidos (não falando das Memórias paroquiais de 1758, que já foram utilizadas) tiram-se as seguintes conclusões: - 1) A capela de S. Bento foi construída por imposição do visitador e não por iniciativa do pároco nem dos devotos; - 2) O pároco, P. João Rodrigues, teve a providencial inspiração de a dedicar a S. Bento, dando origem ao atual santuário.
Se a tivesse dedicado a outro santo ou santa, talvez continuasse a ser hoje uma humilde e esquecida capela, como tantas outras; - 3) O grande desenvolvimento do culto a S. Bento deu-se a partir de meados do séc. XVIII, data em que a capela se chamava apenas de S. Bento, a que, anos mais tarde, se acrescentou «da Porta Aberta», por a sua porta se manter sempre aberta, como disse o arcipreste, P. João José Peixoto, em Dezembro de 1845; - 4) A abundância das esmolas deu lugar a abusos de pessoas que procuravam governar-se à custa delas, em vez de promoverem o culto do santo titular: - 5) Depois de meados do séc. XIX, a capela foi substituída por ampla e bela igreja, ultimamente muito valorizada.
O P. João Rodrigues, que bem merece ser homenageado pela Confraria de S. Bento, dando, por exemplo, o seu nome a algum local, aparece a baptizar em Rio Caldo a 2 de Fevereiro de 1604, mas ainda como abade de Santiago de Sabariz, em Vila Verde. A partir de 20 de Março deste ano, assina já como abade de Rio Caldo, onde continuava em Dezembro de 1626.
Petição e provisão per que se dá licença que se diga missa na hermida de São Bento, sita na freg.ª de São João de Rio Caldo.
Diz João Roiz, abbade de São João de Rio Caldo, que, visitando a dita igreja o anno proximo passado de mil seiscentos e quatorze, o Rev. ° Conego Miguel Pinheiro Figueira deixou no Livro da Visitação da dita igreja o capitolo seguinte: «Mando ao abbade que faça hua hermida na Seara da Forcadella pera administração dos sacramentos, por ser lugar remoto da igreja e de grande distancia de caminho, por ser muito necesario e do serviço de Nosso Senhor. O que cumprirá até o Natal, ornando-a de todo o necessario, com pena de mil réis.
A qual hermida está muito bem acabada, de fermosa parede, e bem caiada, com seu enchaxo (?) na parede, de seis palmos em alto, lavrado de esquadria com suas folhagens e seu campanario muito bem feito. Está bem emmadeirada d’olivel e toda forrada, com suas portas principal e travessa, de esquadria os portaes, e o telhado mui bem concertado e todas as telhas com cal. A invocação (é) do Padre Senhor São Bento, que está feito de vulto, de quatro palmos e meo em alto, mui bem pintado.
Os ornamentos pera a missa e digo altar irão da dita igreja que tem bastantes pera tudo. Pello que pede a Vossa Mercê lhe mande passar licença pera dizer missa na dita hermida e receberá mercê. João Roiz.
Ao Doutor Provisor em messa, vinte e oito de Junho de mil seiscentos e quinze. Mogo, Mergulhão, Moraes.
Passe licença, pagando a chancelaria Moraes.
Provisão
Nós o Arcebispo Primás, Senhor de Braga, etc. Pella presente, vista a petição e certidão atrás, damos licença que se possa alevantar altar e dizer missas na hermida de São Bento, nomeada na dita petição, e nella fazer todos os mais officios divinos, não perjudicando porém em cousa algua aos direitos da igreja matris, em cujus lemites a dita hermida está situada.
Dada em Braga, sob nosso sello e sinal do muito Rev.º Doutor Aleixo de Moraes, Governador e Provisor de nosso Arcebispado, aos vinte e nove dias de mês de Junho.
Thomás Coelho notario, que serve no officio da casa deste Arcebispado, a fez, de mil seiscentos e quinze annos.
Ao sello parece que por se mandar fazer por visitação esta hermida dez réis, aliás hua dobra cruzada, hé dobra cruzada. Mergulhão. Ao escrivão corenta reis.
A qual petição e provisão eu o Cónego Valeriano d’Alfaro, escrivão do Registo Geral, tresladei bem e fielmente da propria, a que me reporto, com a qual a concertei e com o notario abaixo assinado. E por verdade assinei aqui aos trinta dias do mês de Junho do dito anno ut supra.
Valeriano d’Alfaro
(Arquivo Distrital de Braga, Registo Geral, Livro 12, fis. 131 v.-132 v.).
In “Cónego Avelino de Jesus Costa – no Diário do Minho”
Este artigo foi publicado no Diário do Minho em 7 de Agosto de 1980.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Senhor da Cana Verde
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 105x43
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVIII

Descrição:

Imagem em madeira policromada, representando o Senhor da Cana Verde, numa das cenas de flagelação.
Cristo apresenta-se com a cabeça ligeiramente inclinada para a direita, coroada com uma coroa de espinhos e com longos cabelos encaracolados que caem sobre os ombros. Rosto ensanguentado, magro e alongado, realçado pela barba bifurcada, olhar penitente, nariz afilado e boca entreaberta.
Encontra-se desnudado, tendo apenas na zona da cintura um cendal branco e sobre os ombros uma capa em tecido de cor vermelha ornamentada por um debruado dourado. O tronco patenteia algum rigor anatómico, exposto na definição da caixa torácica. Os braços apresentam-se fletidos e cruzados, mas não se encontram amarrados (falta a corda), mas a mão direita segura uma cana comprida com folhas, símbolo da flagelação. As pernas estão fletidas e os joelhos feridos e ensanguentados.
Da base arredondada e policromada surge um bloco onde Cristo está sentado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Santa Luzia
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 33x18
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVIII

Descrição:

Imagem feminina, de vulto pleno, policromada representada de pé, numa posição frontal, com a cabeça levemente inclinada para baixo e parcialmente coberta por um esvoaçante véu branco.

Santa Luzia está representada como uma jovem, de rosto sereno e delicado, emoldurado por fartos cabelos ondulados, acastanhados, que estão presos num puxo e que caem sobre os ombros.

Os braços encontram-se fletidos. Na mão direita seguraria a palma do martírio e na esquerda apresenta o prato com os dois olhos, símbolo do seu tormento.

A mártir enverga uma túnica com dois panos sobrepostos, sendo junto ao tronco esverdeado e nas pernas avermelhado, tudo embelezado por apontamentos vegetalistas das mesmas cores e em dourado. Sobre a túnica uma couraça cintada e dourada. O esvoaçante manto dourado encontra-se preso pelo braço esquerdo e possui a mesma decoração da túnica. Estas vestes acentuam a anatomia da imagem e deixam perceber a flexão do joelho direito. As pregas caem ritmadas e só quebram junto da base.

Assenta numa base marmoreada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Senhor do Perdão
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 245x180
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVI ?

Descrição:

Imagem de vulto em madeira, representando Cristo Crucificado. Apresenta a cabeça ligeiramente inclinada para a direita e levemente pendente. Rosto ensanguentado, magro e alongado, realçado pela barba bifurcada, olhos cerrados, nariz afilado e boca entreaberta. Ostenta sobre os cabelos longos tenuemente ondulados e acastanhados, uma coroa de espinhos entrelaçada, símbolo da Paixão. Sobre o seu ombro direito repousa uma vasta madeixa. Patenteia um tratamento anatómico pouco rigoroso e realista acentuado pelo monocromatismo da policromia existente. Os braços apresentam-se esticados, com os músculos tensos, dispostos verticalmente e as mãos estão pregadas por cravos. O tronco não apresenta rigor anatómico sendo pouco expressivo, exibindo no entanto uma caixa torácica bem definida. As pernas encontram-se ligeiramente fletidas, com os pés sobrepostos, trespassados por um cravo único. Exibe várias feridas ao nível do corpo e rosto, donde brota o sangue pintado, quase retilineamente. Encontra-se desnudado, tendo apenas a zona do baixo-ventre coberta por um cendal ou perizonium branco, com laçada à esquerda e ornamentado por uma faixa dourada.

Um Cristo Crucificado, que prima pela serenidade e pela ausência de valores teatrais.

A escultura encontra-se fixada a uma cruz de madeira em tons escuros, em forma de “T”, normalmente apelidada de Tau, cruz da profecia ou do Antigo Testamento. Base de suporte com um cubo de granito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Santíssima Trindade
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 98x39
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVII

Descrição:

Conjunto escultórico em madeira entalhada, de vulto pleno, policromada e estofada, representando a Santíssima Trindade (um só Deus em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo).

O Pai Eterno encontra-se em posição frontal, sentado numa cadeira de braços de formato quadrangular. Está coroado com Tiara Papal dourada, sobre mitra, embelezada por motivos geométricos e vegetalistas.

Apresenta um rosto rosado, nariz arredondado, olhos pintados de castanho, boca cerrada envolvida por uma espessa barba e enquadrada por densa cabeleira grisalha.

Enverga uma túnica acastanhada, embelezada por motivos fitomórficos e orla dourada, cintada no ventre, caindo até aos pés em pregas verticais. A descair pelos ombros um manto avermelhado, quase plano, ornado por faixa dourada e preso junto ao peito.

Segura com as duas mãos, uma cruz latina marmoreada, onde está crucificada uma figura masculina, com a cabeça pendente para o lado direito (seu Filho), que se encontra seminu, apenas coberto por um sendal. A encimar a cruz está a pomba, símbolo do Espírito Santo.

A base é constituída por uma nuvem ornada por volutas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: São Vicente Ferrer
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 91x53
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVII / XVIII (?)

Descrição:

Figura masculina estofada a ouro, de vulto pleno, representada de pé e em posição frontal.

Tem a cabeça ligeiramente inclinada para a esquerda, com cabelos acastanhados, encaracolados e em tonsura, enquadrando uma face de formato oval, imberbe e rosada. O rosto exibe nariz, boca pequena e olhos castanhos, pintados, que estão direcionados para baixo. De ar tranquilo e de expressão contida. Os braços encontram-se totalmente abertos, mas o direito está soerguido e em posição de explicação e pregação.

Usa hábito dourado e pluvial preto pelos ombros, ambos debruados e floreados a dourado (hábito dominicano). O panejamento profuso e sinuoso confere à imagem grande dinamismo.

Aos seus pés uma figura feminina da mesma ordem religiosa, mas menos trabalhada, de rosto rosado e clemente, olha diretamente para o santo.

O conjunto assenta sobre uma base de configuração hexagonal.

Presume-se que esta imagem tenha vindo de Monção, com as monjas beneditinas, uma vês que o convento de Monção era da ordem dominicana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: S. Bento de Roca
Material: Madeira
Dimensões (cm): 148x52
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVIII ?

Descrição:

Imagem de roca com carnação nas zonas visíveis, esculpida em madeira e representando S. Bento. Costas aplanadas, ombros, cotovelos e mãos articulados. Cabeça voltada para a frente e com uma expressão de serenidade. Rosto ovalado, rosado, imberbe e de tonsura castanha, olhos rasgados e pintados da mesma cor, lábios vermelhos cerrados, nariz saliente, queixo rosado e pescoço esguio.

A mão direita provavelmente suportaria um báculo e a esquerda segura um livro fechado de capa avermelhada.

O busto encaixa na zona da cintura numa armação de madeira nova, de base circular composta por seis varas.

Enverga atualmente um hábito preto, muito recente, com capuz e mangas bastante largas caídas.

No passado estaria vestido com vestes episcopais, alva, capa e mitra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: São Bento de Núrsia
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 123x56
Localização: Lamego
Autor: Frei Cipriano da Cruz ?
Cronologia: Finais do séc. XVII

Descrição:

Escultura de S. Bento entalhada em madeira estofada e policromada.

Encontra-se de pé e em posição frontal, com a cabeça voltada para a frente. Apresenta-se como um jovem com rosto ovalado, mostrando parte da tonsura, sinal de humildade. Rosto sereno, face rosada, com um olhar abrangente e penetrante.

Enverga um longo traje coral beneditino (cogula) de folha de ouro, símbolo da vida que não acaba – a eternidade.

Hábito de pose rígida, sublinhada pelo cair das longas mangas e das finas pregas verticais do tecido, ornamentado por motivos vegetalistas dourados e geométricos.

Os braços mutilados estão soerguidos e dirigidos para a frente, o direito mais elevado provavelmente estaria com a mão a abençoar e o esquerdo mais pela cintura, apresentaria os seus atributos iconográficos.

Esta escultura fazia parte da imaginária de uma das três capelas laterais, do corpo da igreja do Mosteiro Beneditino de S. Bento da Vitória, no Porto, de onde foram retirados todos os conjuntos de talha dourada, nos finais do século XIX.

Foi intervencionada dentro dos cânones académicos e científicos, na Escola de Conservação e Restauro do Mosteiro de Singeverga, em 1998, por Fr. Paulino L. de Castro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: São Bento
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 136x51
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVII

Descrição:

Escultura em madeira estofada, policromada de S. Bento, representando uma figura monumental de corpo inteiro e vulto pleno.

Encontra-se de pé, em posição frontal, com a cabeça ligeiramente voltada para cima. Imagem de um jovem com rosto arredondado, mostrando parte dos cabelos e da tonsura, sinal de humildade. Os olhos, ligeiramente inclinados estão pintados de castanho, denunciando tranquilidade e introspeção. O nariz e a boca são pequenos e as faces rosadas.

Enverga um longo hábito beneditino (cogula) de tons escuros, que apenas deixa à mostra parte da biqueira do botim preto da perna esquerda. Hábito de pose rígida, sublinhada pelo cair das longas mangas e das finas pregas verticais do tecido, ornamentado por faixas e motivos vegetalistas dourados.

A mão direita encontra-se em posição de bênção, a esquerda segura um livro castanho (regras da sua ordem) e junto ao peito um báculo dourado e prateado. Aos seus pés uma mitra, pintada de branco e adornada por motivos dourados e “pedras” de vários formatos e tons.

Segundo titular da Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço.

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Morte de Santa Teresa de Ávila ou de Jesus
Material: Pintura sobre Tela
Dimensões (cm): 124x96
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVIII

Descrição:

Pintura sobre tela, de formato retangular, representando Santa Teresa de Ávila ou de Jesus, com um anjo que lhe trespassa o coração.

Visão mística mais célebre da fundadora da Ordem Reformada das Carmelitas Descalças, narrada na sua autobiografia, capitulo XXIX, “Via-lhe nas mãos um dardo de ouro largo, e no fim do ferro parecia-me ter um pouco de fogo, este me parecia meter pelo coração algumas vezes e que me chegava às entranhas. Ao tirá-lo parecia que as levava com ele e me deixava toda abrasada no grande amor por Deus. Era tão grande a dor que me fazia dar gemidos, e tão excessiva a suavidade que me põe esta enorme dor, que não se deseja que desapareça, nem se contenta a alma com menos de Deus. Não é dor corporal, senão espiritual, ainda que, não deixa de participar no corpo algo, e ainda farto. É um requebro tão suave que passa entre a alma e Deus, que suplico eu a sua bondade lho dê a provar a quem pensar que minto”.

A Santa apresenta-se envergando um hábito castanho das carmelitas, com um véu preto sobre gampo branco e capa em tom marfim. Está sentada à esquerda, com a cabeça ligeiramente voltada também para a esquerda e com os braços caídos.

À direita e num plano posterior, um jovem anjo (serafim) segura com a mão esquerda o ombro de Santa Teresa e na mão direita enverga uma fecha ardente. Anjo com rosto formoso e radiante, tronco parcialmente desnudado, apenas cruzado por um manto esvoaçante de cor castanha. O cabelo é claro, pelos ombros e exibe umas grandes asas com penas acastanhadas.

A expressão mística da cena é acentuada pela profusão de nuvens e pelos rostos relaxados, delicados e encantados das duas personagens.

Moldura retangular adornada por frisos encurvados, por quatro motivos vegetalistas pintados a dourada e por quatro folhas de acanto entalhadas e douradas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Nossa Senhora do Terço
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 115x47
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XIX

Descrição:

Imagem feminina de vulto pleno, de madeira policromada e estofada, representando a Nossa Senhora do Terço com o Menino ao colo.

Apresenta-se de pé, numa posição frontal com a cabeça voltada para o céu. Rosto pálido, inquieto, mas de feições delicadas. Olhos em vidro de cor castanha, boca entreaberta, nariz recurvado, queixo saliente e arredondado, cabelos castanhos longos e ondulados. Sobre a cabeça uma coroa aberta, ornamentada por motivos geométricos e fitomórficos.

Veste uma túnica comprida vermelha, ornamentada com motivos vegetalistas e puncionados dourados, que deixa apenas à mostra parte do pé direito. À cabeça e em volta do tronco e anca, um manto pregueado, azul, de equivalente decoração, com orla também dourada e forro branco, que se vai desprendendo do corpo da imagem, transmitindo assim, uma ideia de movimento e dinamismo. A perna direita encontra-se ligeiramente fletida e o pé calçado com sandália preta. Sobre este conjunto, outro manto azul, em tecido, com bordados vegetalistas e orla trabalhada por fio de metal dourado.

Exibe na mão direita, um terço e a esquerda suporta o Menino, que se apresenta apenas tapado com um pano vermelho e dourado. Os braços estão colocados de forma teatralizada e na mão esquerda possui uma cruz. O seu olhar, bem como o da sua Mãe está direcionado para cima, conferindo e realçando ainda mais a dinâmica da representação. Possui uma face arredondada com queixo e bochechas salientes, tudo enquadrado por uma farta cabeleira encaracolada e aloirada.

A imagem assenta sobre uma nuvem marcadamente ondulante, adornada por cabeças de anjos alados. Base octogonal.

A devoção de Nossa Senhora do Terço começou no princípio do século XIX na capela e rua de S. Francisco, mas posteriormente passou para a capela do Espírito Santo, a norte da vila, onde se erigiu em Confraria com estatutos aprovados em 15 de Maio de 1816. Depois da demolição da dita capela, a Confraria foi instalada, entre 1843-46, na igreja beneditina, que passou então a denominar-se de Igreja de Nossa Senhora do Terço.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Nossa Senhora da Abadia
Material: Pedra Policromada
Dimensões (cm): 102x34
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XV

Descrição:

Imagem de Nossa Senhora da Abadia, esculpida em pedra com policromia do século XVIII.

A Virgem apresenta-se de pé, em posição frontal e com a cabeça ligeiramente voltada para a esquerda. Rosto largo e ovalado, olhos castanhos amendoados, nariz delgado e uniforme, lábios pequenos, queixo redondo e saliente. Sobre a cabeça um véu branco e um manto azul-escuro, que moldam e cobrem completamente os cabelos da escultura. Traja túnica azul clara roçagante cintada, de decoração vegetalista, com flores azuis, vermelhas, rosas e amarelas, que caem em pregas até aos pés, mas que deixam parte de uns botins castanhos a descoberto. O manto que envolve a Virgem apenas está decorado por faixa dourada. O braço esquerdo, fletido, segura o Menino e a mão direita agarra-o.

O Menino enverga uma longa túnica vermelha de mangas compridas e punhos cingidos, apenas embelezada por uma orla dourada. Rosto redondo, descontraído, com olhar soerguido e cabelo ondulado castanho. Na mão esquerda sustenta o Orbe da terra.

Base circular, marmoreada a dois tons avermelhados.

Provavelmente esta era a escultura que se encontrava no arco da porta de saída das muralhas, perto da torre da Porta Nova. Após a sua demolição, nos princípios do século XIX, a imagem passou para a Capela de S. Tiago e nos fins do mesmo século ou princípios do XX, para a Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Nossa Senhora Virgem e Mãe
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 123x53
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVII (?)

Descrição:

Imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus, entalhada em madeira policromada.

A Virgem apresenta-se de pé e em posição frontal, numa disposição rígida, robusta, com um tratamento anatómico pouco rigoroso e de proporções algo desequilibradas. O rosto largo exibe linhas quadrangulares, queixo arredondado, saliente e faces rosadas e cheias, emoldurado por cabelos ondulados escuros, que se encontram parcialmente cobertos pelo véu. A descair pelo ombro direito uma extensa madeixa. Os olhos pintados de azul estão enquadrados por finas sobrancelhas ligeiramente contraídas. Possui um olhar algo apático e um semblante pouco expressivo. Enverga uma túnica amarela até aos pés, adornada por motivos vegetalistas em tons dourados. A túnica encontra-se cingida por um cinto dourado e sobre os ombros um manto azul, que exibe a mesma decoração aplicada na túnica.

A mão esquerda suporta o menino, que se apresenta desnudado e com um olhar direcionado para a frente. Possui uma face pouco arredondada, com um queixo redondo proeminente, tudo enquadrado por uma farta cabeleira ondulada e castanha. Apresenta-se com o braço esquerdo fletido e detém na mão um globo azul.

A Senhora repousa sobre uma plataforma em forma de nuvens, enfeitada por três cabeças de anjos alados, de rosto arredondado e com farta cabeleira de tons escuros.
O conjunto assenta sobre uma base de formato retangular, recortada, alteada e escalonada, adornada por frisos azuis e dourados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Nossa Senhora da Conceição
Material: Madeira Policromada
Dimensões (cm): 140x60
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVII

Descrição:

Imagem feminina estofada e dourada, de vulto pleno, representada sobre uma nuvem branca adornada por três cabeças de crianças aladas.

Apresenta-se em posição frontal com as mãos postas em oração e unidas junto ao peito. Rosto ovalado, rosado, preenchido por um par de olhos pintados de azul, por uma pequena boca entreaberta com lábios vermelhos, nariz retilíneo e por uns longos cabelos ondulados e dourados, que caem sobre a forma de madeixas no manto. Olhar sereno e hierático.

Enverga uma longa túnica branca, cintada por uma fita enlaçada e dourada, adornada cuidadosamente por elementos vegetalistas dourados. Sobre os ombros e a envolve-lhe as costas, um manto azul embelezado por decoração vegetalista dourada e faixa também dourada com pequenos puncionados. A perna direita encontra-se ligeiramente fletida.

A peça possui uma coroa aberta, ornamentada por motivos geométricos e fitomórficos. A base octogonal está ornada por um conjunto três cabecinhas de anjos alados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Nossa Senhora da Abadia
Material: Pedra Policromada
Dimensões (cm): 99x35
Localização: Igreja de Sta. Maria Maior ou Igreja Matriz de Barcelos
Autor: ?
Cronologia: séc. XV / XVI (?)

Descrição:

A Virgem Maria encontra-se de pé, em posição frontal, com o menino ao colo e a cabeça levemente voltada para a esquerda e inclinada para baixo.

Apresenta uma conceção rígida e robusta, com proporções algo desequilibradas. Rosto largo e ovalado, face rosada, queixo redondo e saliente, nariz pequeno, boca entreaberta e olhos pintados de azul, tudo emoldurado por longos cabelos castanhos. O olhar está direcionado para baixo e o semblante revela a expressividade típica de um diálogo explicativo.

Enverga até aos pés, uma túnica verde, estofada com motivos florais em tons vermelhos, azuis e dourados, tipicamente ao gosto barroco, que deixa à mostra a biqueira do botim direito. A túnica encontra-se cingida na cinta por um cordão azul. Nos antebraços, repousa um manto azul adornado por faixa dourada e flores azuis e douradas. Sobre a cabeça, e escondendo parcialmente os cabelos, um véu branco. As pregas das suas vestes caem de forma natural, como que a realçar a anatomia da escultura.

O menino, em madeira, apoia-se no braço esquerdo. O braço direito não possui mão, mas pela forma como está posicionado indica que suportaria outro atributo, já perdido. O Menino desnudado, de faces rosadas e cabelo loiro, está acomodado no antebraço esquerdo, numa posição pouco estável.

A base desta composição escultórica possui cinco faces vermelhas e retilíneas. A escultura detém nas suas costas escavadas a seguinte inscrição “Foi aperfeiçoada e pintada no ano de 1768”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Identificação: Ascensão de Cristo
Material: Pintura sobre Tela
Dimensões (cm): 103x70
Localização: Igreja (beneditina) de Nossa Senhora do Terço
Autor: ?
Cronologia: séc. XVII / XVIII (?)

Descrição:

Pintura a óleo, retangular, retratando a Ascensão de Cristo, que surge ao centro da cena como figura principal.

Na parte inferior da composição, sobre um chão irregular, dispõem-se diversos grupos de figuras, quase todas masculinas, apenas com a exceção da central, retratando os Apóstolos e a Virgem Maria. Os Apóstolos, seis do lado direito e cinco do esquerdo, envergam túnicas pouco cintadas e mantos descaídos, de cor azul, vermelha e castanha. Exibem rostos rosados sem grande expressividade, uns de joelhos outros em pé, mas todos com a cabeça inclinada para cima, como que a apreciar a Ascensão de Cristo.

O centro é preenchido pela figura da Virgem, ajoelhada, com rosto sereno e voltado para o seu filho. Traja uma túnica cintada de tons claros, um manto azul e a envolver a cabeça um véu branco. Em cima, ao centro, a imagem de Cristo a ascender ao céu, de braços estendidos e levemente abertos, apenas envergando um sendal e um manto esvoaçante avermelhado. Rosto rosado, emoldurado por farta cabeleira e encimado por uma luz intensa proveniente do resplendor. A ladeá-lo dois anjos desnudados, que tocam trombeta.

Na parte superior da composição, por entre as nuvens, dois anjos alados, vestidos de túnica cintada (azul e vermelha), tocam harpa e viola. Ao centro o Pai, retratado em posição frontal, apresenta um rosto rosado, olhos e boca semicerrados, envolvido por uma espessa barba e densa cabeleira grisalha. Possui uma túnica cintada branca e um manto acastanhado. A mão direita encontra-se em posição de bênção e a esquerda, fletida, detém o Orbe da terra. A rematar a imagem, um resplendor e um triângulo, atributo da Santíssima Trindade, um só Deus em três pessoas. Entre o Pai e o Filho, surge uma pomba branca, símbolo do Espirito Santo.