Descrição Arquitectónica


Imóvel:                 Igreja de Nossa Senhora do Terço (antiga Igreja do Convento de São Bento).

Localização:           Av. Combatentes da Grande Guerra, 270 / 272
                            4750 - 279 Barcelos
                            Distrito de Braga

Protecção:             I.I.P. Dec. nº. 47 508, DR 20 de 24 Janeiro 1967

Utilização Inicial:    Cultural e devocional: Igreja de Mosteiro beneditino feminino.

Utilização actual:    Cultural e devocional.

Propriedade:          Privada: Igreja Católica

 

A Igreja de Nossa Senhora do Terço de Barcelos, é verdadeiramente uma jóia de estilo barroco não só pela sua talha mas também pelos azulejos que revestem a totalidade das paredes, pelo tecto e pelas pinturas. Apesar do seu exterior algo «apagado», a Igreja - classificada como IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967 - guarda no interior um dos mais belos púlpitos de Portugal.

ituada na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, mesmo em frente ao Campo da Feira, a Igreja fazia parte do antigo mosteiro das beneditinas. (Diário do Minho, 29/10/2004 - Francisco de Assis e Marta Encarnação)

Da planta longitudinal, com nave única e capela-mor, o templo, que passou a ter como principal invocação Nossa Senhora do Terço, conservou, no seu interior, todo o equipamento decorativo original, organizado segundo um programa iconográfico de exaltação da Ordem e do seu fundador, São Bento, que exemplifica, também as opções artísticas do barroco nacional, no que se convencionou denominar de "obra de arte total".

O exterior, de linhas depuradas, encontra no portal principal (lateral, como convém nas igrejas femininas), o seu elemento de maior interesse, contrastando vivamente com o espaço interno, profusamente decorado por talha dourada, azulejos, azuis e brancos, numa composição que articula rodapés de medalhões com emblemas, e painéis de grandes dimensões representando cenas da vida de São Bento. A sua execução, datada de 1713 (pintada nos azulejos) tem vindo a ser atribuída a António de Oliveira Bernardes, a quem são igualmente imputadas, com algumas reservas, as telas da nave, e as pinturas do tecto, em caixotões, com temática também alusiva à Ordem.

Na capela-mor, os azulejos, que ilustram a fundação do convento e o cortejo da freiras (complementados pelas inscrições que assinalam ambos os acontecimentos), estão assinados por P.M.P., a sigla do pintor lisboeta cujo nome permanece desconhecido. O retábulo, em talha dourada joanina, ocupa a totalidade da capela-mor, e, tal como os colaterais, na nave, exibe um conjunto de imaginária setecentista ou mesmo anterior.

Por fim, o púlpito, muito possivelmente, contemporâneo da campanha azulejar, é considerado um dos exemplares mais significativos do Norte do país, que Roberth Smith atribuiu ao entalhador Ambrósio Coelho. (1968, p.154; para outras hipóteses de atribuição cf. FERREIRA, 1982, p.10; Rosário Carvalho IPPAR)